A realização de uma audiência pública para debater a criação de uma Política Estadual de Saúde Mental para profissionais da área de segurança foi defendida durante a reunião remota da Comissão de Segurança Pública da Alepe, nessa quarta. De iniciativa do deputado Delegado Erick Lessa, do PP, o evento pretende ampliar as discussões sobre o tema. O parlamentar apontou o crescimento no número de trabalhadores que estão adoecendo no exercício de suas atividades, adquirindo transtornos psíquicos e emocionais.
De acordo com o deputado, as pressões e as cobranças por resultados têm levado centenas de policiais ao adoecimento e ao suicídio. “Também a exigência que a gente profissional de segurança faz para atender a sociedade, enquanto servidor público, para esclarecer os crimes e reduzir a criminalidade, às vezes nos força a ter, realmente, uma cobrança sobre nós mesmos e acaba trazendo uma dificuldade maior”. Delegado Erick Lessa citou um levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que apontou que mais de 100 policiais atentaram contra a própria vida em 2018.
O parlamentar também lamentou o caso do delegado Manuel Martins, que teria cometido sucídio dentro de uma delegacia em Vitória de Santo Antão, Mata Sul. A deputada Delegada Gleide Ângelo, do PSB, também expressou pesar pelo ocorrido com o policial civil e afirmou que o tema da saúde mental na área de segurança pública é algo muito sério e urgente que precisa ser resolvido. Ela afirmou que recebeu de profissionais de recursos humanos da Polícia Civil uma proposta de criação de uma política estadual de prevenção ao suicídio. “Eu peguei o projeto, mas disse que nós, como parlamentar, não temos competência para apresentar esse projeto, porque é um projeto de competência do Executivo. E eu me comprometi a levar esse projeto para o governador do Estado, para que fosse implantado no estado Pernambuco, porque é necessário”. Gleide frisou, ainda, a necessidade da criação de um programa que prepare os policiais para a aposentadoria porque, segundo ela, a inatividade repentina também pode ser um problema.
O presidente do Colegiado, Fabrizio Ferraz, do PP, reforçou a necessidade de promover a audiência pública como primeiro evento em 2021, logo após o retorno das atividades presenciais na Assembleia. O parlamentar fez também um breve resumo da atuação da Comissão de Segurança Pública, instalada no último mês de agosto, afirmando que o Colegiado abre a possibilidade de se discutir de forma mais ampla as questões relacionadas à segurança e representa um avanço para a construção da paz social no estado.
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